quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tudo o que queria...


Tudo o que queria era dizer o quanto o amava. Que não podia viver sem ele.
Que morreria se ele não existisse.
No entanto, ele estava longe. Muito longe dali.
Não o iria encontrar mesmo que partisse no seu encalço. Mesmo que, no preciso momento em que soube o que era feito dele, tivesse posto os pés à estrada e as mãos ao coração, mesmo que eu o encontrasse, que os nossos caminhos se cruzassem, eu não mais o conheceria.
Mesmo que me esbarrasse contra ele numa estrada deserta e olhasse bem fundo nos seus olhos cinzentos, tão lindos, ele afigurar-se-ia para mim como um perfeito estranho, pois ele já não me pertence.
Ainda que eu permaneça, agora e para sempre, sua, ele já não é meu. Selou o seu destino e tudo o que era nosso por direito, assim que, sem olhar para trás, me virou as costas e pesarosamente escolheu, de entre muitos, o caminho que mais nos distanciava. O mais longo, mais tortuoso e desconhecido caminho de todos, para que eu não o seguisse.
Renunciou a meses de memórias, risos, encontros, olhares e carícias, a meses de amor como nunca experimentei igual.
Já lá vão mais de dois anos, e continuo a sofrer no silêncio da sua ausência, pela falta que o seu olhar, o seu toque e o som da sua voz me fazem.
É por ele que o meu coração continua a palpitar as suas tristes lamentações.
A minha mente e o meu ser, despedaçados, continuam a insistir em criar ilusões de que ele me ama, que ainda se lembra de mim, onde e com quem quer que ele esteja.
Ele próprio vem, de longe a longe, ao ponto de partida, em busca de um não-sei-o-quê que deixou, esquecido, para trás.
Talvez seja verdade, e ele não me tenha esquecido. Talvez ele volte ao início para observar, para se preencher novamente de recordações da sua terra, quando a memória já começa a faltar e o coração já se deixou preencher. Cheguei a pensar que ele voltara por mim, para verificar, tal como um protector faria por alguém que ama, mas a quem a sua presença só causa dor, pondo em causa a sua existência, a própria vida.
Sentia-me bem a pensar tais coisas, ainda que não passasem de meras ilusões da mente.
No entanto, a questão permanece: porque volta ele?
Sinceramente não o sei responder.
E apesar de tudo, continuo aqui, o que prova que ele existe. Pois eu não permaneceria se ele não existisse.
Continuo a andar, ainda que sem desfrutar o sabor da neblina matinal que rodeia os meus passos errantes, sem realmente viver.
Continuo a só querer que um desejo se torne realidade: que um dia lhe possa dizer o quanto o amei.

Um comentário:

Tavares disse...

Escreves mesmo bem gémea =D